quarta-feira, 6 de novembro de 2013

'Caveirinha' se inspira em Neymar para conquistar vaga no Santos


Quando Claudinei Oliveira resolveu sacar Everton Costa do jogo contra o Cruzeiro, no último domingo, pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro, o torcedor do Santos nem parecia preocupado com quem entraria no lugar do contestado atacante; o que a torcida queria era que ele nunca mais pisasse no gramado da Vila Belmiro. Para Geuvânio, o escolhido para substituí-lo, o cenário foi bem diferente.


Aos 21 anos, o jovem encarou a oportunidade como um recomeço no Peixe. Agora, inspirado em Neymar , ele luta para receber mais chances e já sonha com uma vaga no ataque titular na partida contra o Vasco, domingo, no Maracanã.


Geuvânio Santos (Foto: Ricardo Saibun/Divulgação Santos FC)Geuvânio mostra que novatos não têm vida fácil no Santos (Foto: Ricardo Saibun/Divulgação Santos FC)


Natural de Ilha das Flores, município do interior de Sergipe de pouco mais de 8.000 habitantes, Geuvânio deixou boa impressão diante dos mineiros - apesar da derrota do time por 1 a 0. Foi dos pés dele o lance mais perigoso do Alvinegro na partida, em um belo chute de fora da área que só não balançou as redes graças a uma grande defesa do cruzeirense Fábio. Humilde, ele admite que os arremates de longa distância não são seu forte.


– Não é das minhas melhores características. Mas venho treinando muito as finalizações. Domingo não deu certo por pouco. Agora é dar sequência nos treinamentos – diz Geuvânio, chamado de "Caveirinha" no clube - ele tem 1,75m e pesa apenas 62 quilos.



O atacante aposta mais no drible e na velocidade para se dar bem contra a marcação dos times adversários. No Santos desde 2009, ele teve a oportunidade de ver de perto em quem deveria se espelhar para provar que a técnica ainda pode superar a força no futebol moderno.


– Sou bastante veloz e gosto de ir para cima. Meu ídolo é o Neymar. Aprendi muito com ele. Essa é uma característica importante dele que tendo adaptar ao meu futebol – conta o jogador, que tem contado com o Peixe até o fim de 2015.


Inspirado em Neymar, Geuvânio não esconde o desejo de ser um dos escolhidos por Claudinei Oliveira para o duelo contra o Vasco, no próximo domingo, pela 33ª rodada do Brasileirão. Aparecer entre os titulares, porém, não será fácil. Embora Everton Costa, suspenso, seja desfalque, o treinador contará com os retornos de Gabriel e Thiago Ribeiro. Mesmo assim, o jovem sonha alto.


– Penso muito nisso. Quero que minha oportunidade chegue. Pode ser o momento. Não conversei (com Claudinei Oliveira). Quando acabou o jogo, tomei meu banho e fui para casa. Deixo para ele definir. Estou treinando forte, esperando minha oportunidade e, quando chegar, tenho de estar preparado, agarrar com as duas mãos e não deixar escapar.


Geuvânio Neymar Durval Santos (Foto: Ivan Storti/Divulgação Santos FC)Geuvânio (ao fundo) observa Neymar, em treino no começo do ano (Foto: Ivan Storti/Divulgação SFC)


No Santos 'por acaso'


A derrota contra o Cruzeiro foi a primeira partida de Geuvânio no ano com a camisa do Santos. No primeiro semestre, ele foi emprestado para o Penapolense durante o Campeonato Paulista - no time de Penápolis, foi vice-campeão do interior. Desde que voltou, entretanto, não entrou mais em campo. Mas ele jura de pé junto: não desanimou em nenhum momento.


– Eu venho treinando muito. Nunca abaixei a cabeça. Treinando forte, eu vou mostrar. Quero meu espaço e vou começar a entrar nos jogos, se Deus quiser.


Antes de ser emprestado ao Penapolense, Geuvânio quase deixou a Vila Belmiro de forma definitiva. Em agosto do ano passado, ele recebeu uma proposta do Acadêmica de Coimbra e só não se transferiu para o futebol português porque o hoje presidente licenciado do Alvinegro, Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro, o convenceu que a permanência era o melhor para a sua carreira.


– O presidente não me deixou ir para Portugal. Ele disse que contava comigo, que sentia confiança no meu talento, confiou em mim e me deu oportunidade. Renovou o contrato, que me ajudou muito na época, e estou feliz aqui agora. É essa confiança que me motiva a ficar no Santos.


Caveirinha, o contador de histórias


No Santos, Geuvânio não é Geuvânio. Para quase todo mundo, ele é Caveirinha. O apelido vem do tempo que treinava na base.



Eu era 'forte' (risos) no Jabaquara, me apelidaram e pegou. Eu fiquei bravo e aí que o apelido pegou mesmo"


Geuvânio, sobre o apelido Caveirinha



– Eu era "forte" (risos) no Jabaquara, me apelidaram e pegou. Eu fiquei bravo e aí que o apelido pegou mesmo – diz.


No Jabaquara, onde foi submetido a teste e aprovado em 2009, ele treinou muito e jogou pouco. Uma das suas raras apresentações foi exatamente contra o Peixe, no CT Rei Pelé. Foi o suficiente para chamar a atenção do Alvinegro.


– Fiz um gol, e os diretores (do Santos) me chamaram para jogar o Paulista. Subi para o profissional depois da Copa São Paulo em 2011, com o Adilson Batista.


Geuvânio quase fez sua estreia com a camisa alvinegra na sexta rodada do Paulistão daquele ano, mas...


– Eu ia jogar, na lateral, mas meu contrato acabou e voltei para o Jabaquara. Reformulei meu contrato, subi de novo com o Muricy (Ramalho, ex-treinador), tive algumas oportunidades.


Mas como ele foi parar no ataque, se era lateral-esquerdo? Caveirinha explica.


– Na base, tinha o Dimba e o Tiago Alves. Vi que tinha uma brecha na lateral e fui lá, me dei bem, subi com o Adilson, aprendi a marcar e tive uma passagem boa na ala.